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  • Luiz Felipe Conrado de Lima

Principais erros ao implantar o BIM


https://www.aecweb.com.br/revista/noticias/comite-gestor-sera-responsavel-por-implementar-estrategia-bim-br/19152


Algumas empresas iniciaram a implantação do BIM e acabaram abandonando o processo, na maioria das vezes, em virtude de não haver obtido resultados logo no início ou pelo surgimento de dificuldades no meio do caminho. Até pode acontecer dos resultados surgirem no primeiro projeto, mas o comum é que ele comece a ser percebido do segundo em diante, afinal, o desenvolvimento de competências no BIM acontece de maneira evolutiva e gradual.


Para implantar o BIM, precisamos da tríade software, hardware e equipe totalmente alinhada às necessidades da empresa e capacitada para a utilização dos programas. Para isso, é preciso que o escritório esteja pronto para investir nas ferramentas e no treinamento da sua equipe, porque implantar BIM é uma operação que possui relativamente um alto custo e seus benefícios só vão aparecer com maior evidência depois do domínio da metodologia.


Um dos principais pontos de atenção na implantação do BIM é a mudança do fluxo de trabalho CAD para BIM, que poderá contar com resistência de alguns integrantes da equipe. Por se tratar de um movimento disruptivo, em que se abandona uma forma de trabalhar e uma ferramenta de trabalho, há que se planejar bem os estágios da mudança.

Segundo a curva da mudança de Kubler-Ross, processos de grandes e/ou drásticas mudanças podem ser comparados a um processo de luto e o gráfico a seguir ajuda a compreender melhor o fator humano e a adotar estratégias para mitigar possíveis entraves à implantação do BIM.



Imagem: Renato Martinelli

Fonte: https://jornalempresasenegocios.com.br/colunistas/empreendedores-compulsivos/a-mudanca-forcada-e-o-papel-das-liderancas/

Desta forma, ignorar o fator humano na implantação é um dos fatores que mais levam ao fracasso.



Outro ponto de atenção refere-se à escolha do software, uma vez que cada um apresenta características e funcionalidades mais adequadas a determinado tipo de projeto (há programas mais polivalentes, outros mais voltados a grandes projetos, por exemplo) e o mais importante no momento da seleção - até mais importante que o custo! - é analisar a carteira de projetos do escritório e as interfaces dos projetos. Conforme exposto por Leonardo Manzione, no portal COORDENAR, em março de 2020, "muitos pensam que a decisão chave na implantação do BIM seja qual software comprar, e o critério chave para essa seleção é 'o que os outros estão usando'”.


Alguns softwares apresentam uma plataforma bastante amigável, o que facilita o aprendizado e sua utilização, mas também encontramos sistemas mais robustos, com grau de complexidade maior. Para os softwares mais populares, existe uma variedade enorme de famílias paramétricas desenvolvidas por terceiros, muitas vezes, pelos próprios fornecedores de materiais e componentes, que apresentam imagens e informações idênticas ao produto real.


Há também softwares baseados em memória, que demandam muito do hardware e, havendo necessidade de realização de um grande projeto, é necessário o investimento em máquinas mais potentes, caso contrário, serão enfrentadas dificuldades no desenvolvimento do trabalho, com queda no desempenho.

Se essas variáveis não forem cuidadosamente avaliadas e a escolha do software for determinada exclusivamente por fatores como custo ou "o que está na moda", haverá uma chance maior de surgimento de dificuldades ou até mesmo insucesso na migração para o BIM.



Por fim, tão importante quanto o fator humano e o fator tecnológico, é o processo de implantação em si: a migração total e imediata do 2D pela tecnologia BIM não é a estratégia mais adequada.



É aconselhável iniciar a implantação através de um projeto piloto, desenvolvido em paralelo ao que já vinha sendo executado anteriormente para os demais projetos da carteira, o que trará a possibilidade comparar as duas metodologias de trabalho e identificar as principais dificuldades e benefícios ao longo do projeto. A escolha do projeto piloto também pode ser um fator decisivo, assim como a adaptação feita entre os fluxos de trabalho existentes e os sugeridos pelo BIM Manager. Aconselha-se selecionar um projeto que o escritório desenvolva com habitualidade e até certa facilidade, ou seja, um projeto de baixa complexidade.


À medida em que as competências da equipe forem fortalecidas, a complexidade dos projetos em BIM poderá ser aumentada, o que facilitará o progresso na migração dos projetos para a nova metodologia e aumentará a probabilidade de sucesso no processo de implementação.

O BIM veio para ficar e sua utilização será obrigatória num futuro bem próximo, conforme determina a PORTARIA Nº 1.014, de 06 de maio de 2020. Levando em consideração os pontos de atenção trazidos neste artigo, a implantação em sua empresa tende a ser um sucesso!


Bibliografia:

COORDENAR Consultoria BIM. Pontos chave para implantar o BIM. 2020. Disponível em: <https://www.coordenar.com.br/pontos-chave-para-implantar-o-bim/> Acesso em: 11 de julho de 2020.

Texto:

Eng. Civil David Shinji Shinkai - https://www.linkedin.com/in/davidshinkai/

Profissional graduado em Engenharia Civil e Pós graduando em BIM, com 10 anos de experiência na construção civil, em variados tipos de sistemas construtivos, tais como estrutura de concreto armado, alvenaria estrutural, parede de concreto, pavimentação e fundações dos tipos hélice contínua, tubulão a céu aberto, radier e estaca raiz.


Arq. Luiz Felipe Conrado de Lima - https://www.linkedin.com/in/luizflimarq/

Profissional graduado em Arquitetura e Urbanismo e Pós graduando em BIM Management e Gestão de Projetos, BIM Manager na A+U Arquitetura BIM, empresa com atuação dentro de fora do país através da metodologia BIM.

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