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  • Luiz Felipe Conrado de Lima

BIM e Gestão Ágil: Feitos um para o outro.

O planejamento e o controle de projetos de novos produtos ou tecnologias é um grande desafio que levou diversas empresas a discutirem os métodos tradicionais de desenvolvimento de projetos (Conforto et al, 2014). No setor da construção civil, assim como em outros setores, as empresas também passaram a adotar novos modelos organizacionais e inovações tecnológicas (Leusin, 2009) nas últimas décadas, criando um mercado mais competitivo. Não só o mercado influenciou para este acontecimento, mas este também foi uma reação à baixa produtividade do setor da construção civil no mundo. Segundo Paul Teicholz (2014)  da Universidade de Stanford, a produtividade do setor da construção civil americana declinou ao menos 10% nos últimos 40 anos, enquanto em outros setores, como o setor da agricultura, dobraram sua produtividade no mesmo período (Eastman et al, 2014).  Essa grande mudança do panorama global, impulsionada pelo uso de tecnologias disruptivas, introduz de maneira definitiva a tecnologia no cotidiano do profissional do século 21. Outra grande tendência no ambiente gerencial de projetos (Pmbok, 2016) é o uso de ferramentas tecnológicas que automatizam processos ou ferramentas visuais que facilitam a colaboração e integração no projeto. Dentro desse contexto inovador da construção civil, se destacam o uso da Modelagem da Informação da Construção ou “Building Information Modeling” [BIM] no processo de desenvolvimento de projetos através de modelos 3D digitais para a construção. O “BIM” surgiu como uma grande solução para impulsão da produtividade da construção civil no mundo, proporcionando benefícios significativos aos envolvidos, desde o planejamento até a operação da construção (Eastman et al, 2014). Nos Estados Unidos a metodologia BIM tem crescido nos últimos anos, tanto a sua adoção pela indústria, como o nível de maturidade dos processos. Foi essa mudança proporcionou impactos positivos na indústria, como a melhor coordenação do projeto, comunicação, aumento de produtividade e maior controle de qualidade (Macgraw-hill, 2019). No Brasil, a implementação da Estratégia BIM BR em 2018 pelo Governo Federal  através dos decretos n°9.377/2018 e n°9.983/2019, teve objetivos claros para o aumento de produtividade e da transparência na construção civil em obra públicos e privadas através do uso do BIM. Esse conjunto de políticas, tem como objetivo a criação de um ecossistema BIM para a construção civil até 2028, podendo fazer o setor crescer até 7% em uma década e reduzir em até 10% os custos totais das obras (Abdi, 2018). 




Assim como o BIM, uma outra solução é a adoção de uma metodologia de uma gestão mais flexível e adaptável, o “Agile Project Management” [APM].  O APM é capaz de atender os novos requisitos da indústria, como a flexibilidade e a adaptabilidade (Conforto et al, 2014). A metodologia do “Agile Project Management” [APM] por sua vez, surgiu com o objetivo simplificar e otimizar os processos gerenciais de criação de softwares de tecnologia da informação. No APM, os indivíduos e as interações estão acima dos processos e ferramentas (Beck et al., 2001).

Segundo os engenheiros Radan Tomek e Sergey Kalinichuk (2015), as semelhanças entre a metodologia BIM e a Gestão Ágil vão além do “background ” tecnológico. Eles destacaram os objetivos similares entre as duas metodologias: 

·        Melhor compreensão e implementação dos requerimentos de projeto ·        Melhor comunicação e colaboração entre os stakeholders do projeto ·        Melhor equipe e efetividade do projeto  ·        Redução de omissões e retrabalho  ·        Redução de tempo de projeto e custo.

Outro aspecto importante que é presente em ambas metodologias, são as entregas incrementais do produto no processo de projeto. No caso da metodologia BIM o principal produto a ser entregue é o “Building Information Model” [BIM] e não um software. Portanto, é notável e inegável que ambas metodologias possuem características capazes que podem impulsionar a construção civil, principalmente na realização de projetos em BIM que unam também as melhores práticas do gerenciamento de projetos ágeis. Referências: Tomek, R., Kalinichuck, S. 2015. Agile PM and BIM: A Hybrid Scheduling Approach for a Technological Construction Project. Creative Construction Conference - CCC 2015, Czech Technical University, Dejvice, República Tcheca. Disponível em: <https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1877705815032099>. Acesso em: 04 abril 2020. Conforto, E. C. et al. 2014. Can Agile Project Management Be Adopted by Industries Other than Software Development. PMI, Project Management Journal, Vol. 45, No. 3, p .21–34. Disponível em: <https://www.researchgate.net/publication/262809231_Can_Agile_Project_Management_Be_Adopted_by_Industries_Other_than_Software_Development>. Acesso em: 04 abril 2020. Amaral, D.C. et al. 2011. Gerenciamento Ágil de Projetos – aplicação em produtos inovadores. Ed. Saraiva, São Paulo, SP, Brasil. Leusin, S. 2018. Gerenciamento e coordenação de Projetos BIM. 1ed. Elsevier. Rio de Janeiro. RJ, Brasil. Beck, K. et al. Manifesto for agile software development. 2001. Disponível em: <http://www.agilemanifesto.org/>. Acesso em: 5 jun. 2020. Manzione, L. 2020. Plano de Execução BIM: Guia prático de implantação, São Paulo, SP, Brasil. 

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